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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A importância da atividade religiosa para os policiais militares.


Nesses quase dois anos no Comando-Geral tenho reunido, em um ambiente de muita satisfação e harmonia, com líderes e praticantes das diversas orientações religiosas encontradas em nossa sociedade, com destaque aos segmentos existentes em nossa própria Instituição. E nesse contexto, não me lembro de qualquer desses representantes ter-me dirigido palavras de pessimismo, negativismo ou desesperança, mas, por outro lado, sempre estiveram acompanhados de mensagens de esperança, bondade, caridade, fraternidade, dentre outros princípios que, mormente, chamamos de virtude.

Isso sugere, sem propor-me a qualquer análise exaustiva, que a religião faz bem ao policial militar por conta de sua mensagem sempre positiva e acolhedora. Contudo, cumpre-me compreender que cada corrente religiosa tem as suas convicções e orientações, mesmo admitindo que todas as religiões que conheço transmitem, em seus princípios, a cultura da paz e do bem.

Dessa forma, nós, policiais militares, não podemos deixar de enxergar esse lado construtivo e dignificante da religião. Bom seria agradecermos diariamente a ação do Deus (ou como é chamado por cada religião) pela vida e, no que nos é afeto como missão, pela boa caminhada na Polícia Militar da Bahia, instituição criada para bem servir a população do nosso Estado, oferecendo segurança aos cidadãos, bem como perspectivas de melhores dias.

A sublime missão, o ideal no desempenho das funções e a oportunidade de atuar dentro dos princípios de uma fé, muito retrata a vocação do policial militar de servir a todos, de amar ao próximo, respeitando a vida e fortalecendo as ações de paz. O servidor PM que vive os preceitos de uma religião, independente de suas funções, é capaz de fazer diferença dentro da corporação e também na sociedade, a qual, historicamente, também busca as veredas da espiritualidade. A permanente crença numa força maior, num Ser Divino e Superior, faz com que não nos desanimemos por causa da violência e outras adversidades, pois a convicção na fé faz superar todos os sofrimentos da vida, tenho plena certeza.

Muito obrigado!


Nilton Régis Mascarenhas - Cel PM
Comandante Geral

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Autoridades militares e civis discutem racismo, intolerância religiosa e violência policial


Teve início, na manhã desta terça-feira, 10, no auditório do Quartel do Comando Geral da Polícia Militar de Sergipe, o ‘Seminário em Defesa da Vida: contra o Racismo, Intolerância Religiosa e Violência Policial’. O evento, que segue até a próxima sexta-feira, 13 de agosto, tem como objetivo envolver autoridades civis, militares e religiosas no debate de questões relacionadas a segurança pública e relações raciais.

A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Polícia Militar do Estado de Sergipe, a Sociedade de Estudos Étnicos, Políticos, Sociais e Culturais Omolàiyé e o Ilê Axé Abaçá Oyó Yangonga, instituições que têm o objetivo de elevar o conhecimento sobre a tradição e cultura afro-descendente e levar tais informações às comunidades interessadas.

Na ocasião, o sub-chefe do Estado Maior Geral da PMSE, coronel Genário dos Santos João, fez a abertura oficial das atividades, ressaltando em seu discurso a importância do respeito ao cidadão, independente da cor da pele, sexo, valores ou crenças religiosas. Representando o Comandante Geral da Corporação, coronel Genário dividiu a mesa diretiva com o chefe da 3ª Seção do Estado Maior Geral, coronel Carlos Ornellas Santos; a representante da Sociedade de Estudos Étnicos, Políticos Sociais e Culturais Omolaiyé, Sônia Oliveira; e a representante do Ilê Axé Abaçá Oiá Bagan Iayanganga, Jane Lúcia.

Após a abertura oficial do evento, Sônia Oliveira pediu a benção ao seu babalorixá, saudou a tropa e presenteou o capitão Amim, capelão evangélico da PMSE, e o coronel Genário com símbolos das religiões afrobrasileiras. Em seguida, o Prof. Doutorando Fernando Aguiar (História/UFS) ministrou a palestra intitulada ‘Os Órgãos de Segurança Pública e sua Herança Escravagista’.

Durante a palestra, o estudioso versou sobre a chegada dos negros no Brasil, bem como os processos de aculturação que eles sofriam quando chegavam à América, desde a prática de rapar de cabeça até a criação de leis que os proibiam de transitar em via pública, a exemplo da ‘Lei da Vadiagem’, que proibia o cidadão de andar na rua depois das dez da noite, outra represália para punir os mais de 700 mil escravos colocados na rua sem nenhum tipo política habitacional, dentre outros mecanismos do poder público para podá-los e os cercearem de sua cultura.

O palestrante também falou sobre a realidade dos terreiros em Sergipe, do tratamento discriminatório de alguns militares para com esses locais e seus frequentadores; prestou esclarecimentos sobre termos utilizados no mundo das religiões afrobrasileiras, bem como a hierarquia existente no mundo do candomblé.

Quando aberto o espaço para a discussão, militares e integrantes do candomblé interagiram falando sobre suas experiências,queixas e curiosidades. Eles ainda elogiaram a iniciativa, destacando a importância do evento para a superação de paradigmas e preconceitos dos policiais militares em relação aos seguidores de religiões afrodescendente e destes em relação aos militares.

“Parabenizo a Polícia Militar pela iniciativa, esse é um momento ímpar para os afro-religiosos. Este tipo de diálogo aproxima pessoas tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais, e este encontro é um ganho para a sociedade. Penso que esse é o início de um diálogo mais profundo”, avaliou o Prof. Doutorando Fernando Aguiar.

A iniciativa também ganhou o reconhecimento da tropa, que pôde conhecer melhor os conflitos e preconceitos enfrentados ao longo da história até os dias atuais pela população afrodescendente no Brasil. “A proposta é interessante, ela mostra ao policial a dimensão do que realmente acontece no contexto dos cultos afro-religiosos e insere os PMs na proposta de combate às práticas abusivas. Também acho interessante que a discussão não pare por aqui e que no último dia sejam propostas metas”, destacou o soldado Joventino Teodoro, que atua na Companhia de Polícia Rodoviária Estadual (CPRv).

Presenças

No primeiro dia do Seminário, estiveram presentes os chefes da 4ª e 6ª Seções do Estado Maior Geral da PMSE, tenente-coronel Sento Sé e tenente-coronel Lobo, respectivamente; os comandantes das Companhias de Polícia da Grande Aracaju, oficiais e praças de Unidades e Subunidades da PMSE.

Dentre os civis, marcaram presença representantes do Ilêaxé Dematá ‘Sahara, Instituto de Capoeira M.M Ponty, Secretaria de Estado da Educação, Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), Fórum de Educação e Diversidade Étnico-Racial de Sergipe, Ilê Axé Olaiyá Tassitaô, Banda Afro Odô Yó e representação do gabinete da vereadora Rosângela Santana.
Clique aqui e confira a programação completa do evento.

Fonte: PM.SE